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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Ex-ministro Edison Lobão é citado no esquema de propina da construtora Andrade Gutierrez

Edison Lobão
Segunda a Folha de São Paulo, a construtora Andrade Gutierrez, uma das maiores financiadoras de campanhas eleitorais de diversos partidos, teria feito doações milionárias oriundas de propinas à campanha da presidente Dilma em 2014. 

As revelações dos executivos da empresa foram feitas à procuradoria-geral da República no fim de fevereiro. São informações dadas em depoimentos da delação premiada em troca de redução de pena na Operação Lava Jato.

Edison Lobão
Em 2014, a empreiteira registrou doações de R$ 20 milhões para a reeleição da petista. A propina estaria ligada a obras das usinas de Angra 3 e Belo Monte, além do Complexo Petroquímico do Rio, Comperj.

O jornal diz que Otávio dividiu a composição das doações oficiais: tinha a parte dos compromissos com o governo, por atuar nas obras, isto é, propina, e a parte republicana, a ação institucional em forma de doação.

O coordenador jurídico da campanha presidencial, Flávio Caetano, negou irregularidades. Afirmou que toda a arrecadação em 2014 foi feita de acordo com a lei. E que jamais a campanha impôs exigências ou fixou valores para doadoras. E que a empresa fez doações legais e voluntárias para a campanha de 2014 em valores inferiores à quantia doada ao candidato adversário.

Disse também que em nenhum momento, nos diálogos mantidos com o tesoureiro da campanha sobre doações eleitorais, o representante da Andrade Gutierrez mencionou obras ou contratos com o Governo Federal e lamentou o que chamou de uso político da delação premiada por meio de vazamentos seletivos.

Os executivos disseram que o governo atuou diretamente, por meio do então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, do PMDB do Maranhão, no leilão de Belo Monte. Segundo a delação, o ministro se reuniu com as empresas para fazer um acerto sobre a concorrência, e deu orientações sobre a disputa para que fosse passada à opinião pública a ideia de que haveria uma concorrência de verdade na obra.

Otávio de Azevedo disse ainda que foi orientado pelo ex-ministro Edison Lobão para reunir outras empreiteiras que deveriam dar, juntas, 1% do valor total da obra para o PT e para o PMDB, cerca de R$ 150 milhões, ou seja, R$ 75 milhões para cada partido.

A propina foi paga por meio de doações eleitorais oficiais para PT e PMDB em 2010 e uma parte em 2014. No PT o interlocutor para tratar desse assunto era o ex-tesoureiro Joao Vaccari Neto, que está preso, no PMDB, o ex-ministro Edison Lobão.

Segundo a delação dos executivos, Lobão pediu e recebeu R$ 600 mil em dinheiro vivo em 2011. Os recursos foram entregues para um de seus filhos e abatidos na parcela destinada ao PMDB. A defesa da Andrade Gutierrez não se pronunciou.

A defesa do ex-ministro Edison Lobão, disse que seu cliente e o filho dele negam o recebimento de qualquer quantia e que está ocorrendo uma tentativa de criminalizar a política.


Fonte: Gilberto Lima
Com trechos da reportagem do Jornal Hoje