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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Isto é, uma, vergonha !!!



  Jornal O Imparcial sai em defesa de pesquisa fraudulenta
Jornal O Imparcial chama de picuinha o repúdio da sociedade contra pesquisa fraudada.
 
 Em uma sociedade cujo direito a informação, um dos pilares da democracia, ainda é privilégio de poucos, chega a ser vergonhoso e constrangedor o papel a que se presta o Jornal O Imparcial.

O periódico publicou um editorial na edição desta sexta-feira (1º) onde defende duas pesquisas fraudulentas produzidas pelo Instituto Econométrica, ambas suspensas pela justiça.

O jornal ataca os novos meios digitais de comunicação, tratando-os como adversários.

O Imparcial  sentencia  que não aceitará a mobilização da opinião pública contra a absurda tentativa da Econométrica de fraudar a eleição, por meio de de pesquisas tendenciosas.

Para justificar a posição autoritária,  o Jornal O Imparcial apela para os seus 88 anos de história no jornalismo maranhense. Ao evocar o passado, o periódico nos obriga a evocar um outro  triste episódio protagonizado   mesma mesma autoritária com que hoje tenta se impor sobre a opinião de deus leitores.

Em 1955, o então presidente dos Diários Associados era Assis Chateaubriand, uma espécie de Roberto Marinho dos anos 50, dono do maior império de comunicação da América Latina na época.

Naquele ano, Chateaubriand perdeu a eleição para o Senado em seu estado natal, Pernambuco. Inconformado, ligou para o presidente Juscelino Kubitchek e ameaçou usar seus meios de comunicação contra o governo Federal caso o PSD, partido do presidente, não encontrasse um meio para dar-lhe um mandato no Senado.

O jeito foi apelar para o Maranhão, estado controlado com mãos de ferro pelo coronel Vitorino Freire, presidente do PSD no Estado. Vitorino usou todos os meios de que dispunha para fazer uma nova eleição, com o único objetivo de eleger Chateaubriand, que jamais havia colocado os pés no Maranhão.

O Jornal O Imparcial, pertencente aos Diários Oficiais, a serviço da oligarquia de Vitorino Freire, liderou a campanha junto a opinião pública maranhense para enfiar goela abaixo o nome de Assis Chateaubriand. E assim, o Maranhão “ganhou” um senador por força do poder político da oligarquia de Vitorino Freire e do monopólio de comunicação dos Diários Associados, liderado pelo Jornal O Imparcial.

E é esse o passado que  O Imparcial evoca  para escrever um editorial em que defende sem maiores constrangimentos a divulgação de pesquisas feitas sob encomenda para favorecer o candidato dos clãs Sarney e Lobão.

Pelo menos há coerência histórica na atitude.

Por Ligia Teixeira