É impressionante! O Maranhão tem 217 prefeitos e 200 apóiam um único candidato a governador, o do governo, conforme noticia o Sistema Mirante de Comunicação. Não é só impressionante; é incrível, e será inacreditável em qualquer democracia do mundo. 

Junte-se a isso o fato de que, conforme a mesma notícia, 250 ex-prefeitos apoiam o mesmo candidato e a única conclusão plausível será de que não existe democracia nenhuma no Maranhão.

Nem adianta perguntar se tanta unanimidade já foi possível ou qual seja a sua causa, pois todas as causas são improváveis num universo político que converge inteiro em uma única direção. A política pressupõe a existência de partidos políticos, de ideais, de divergências programáticas, de projetos diferenciados e diferenciado modelo político. Mas essa notícia diz que no Maranhão não existe nada disso. Todos os homens públicos pensam da mesma forma, todos defendem as mesmas ideias, todos pertencem ao mesmo partido e todos defendem o mesmo programa de governo. É quase um regime de partido único.

Assemelha-se tudo isso a um estado de escravidão intelectual, uma senzala mental onde a ninguém é permitido pensar diferente do feitor. Serve para convencer que ditaduras não são impostas apenas através das armas, mas também pelo açambarcamento das instituições. E isso acontece no Estado em que todas as pesquisas indicam que a população quer se ver livre do regime que a governou até agora. Em síntese, o povo está de um lado e os homens públicos de outro.

Duzentos prefeitos e duzentos e cinquenta ex-prefeitos de um lado só não é unanimidade, é estado de sítio, confinamento ideológico, ou seja lá como queiram chamar. Nem a Teoria do Direito Divino do Rei explica tanta reverência ao poder.

Essa adesão em massa a um candidato oficial parece ser uma praxe das eleições que ocorrem nesse estado e talvez especialistas, principalmente psicólogos e psiquiatras, consigam dizer porque os prefeitos do Maranhão têm tanto medo do governo. E explicar também como é que conseguem sobreviver na condição de homens públicos em meio a tanta pressão.

Imaginem só se uma coisa dessas acontecesse nos Estados Unidos ou em outras democracias do mundo. Iria parar no Guiness Book com a mesma exclamação daquela moça gorda que pesava mais de 500 quilos.

É quase impossível crer que existam governos sem adversários políticos em territórios do tamanho do Maranhão. E não devem existir. Tanta unanimidade não é coisa da política, é coisa de confraria… Quem governa assim não é um governador, é um Faraó, um semideus para quem o que menos importa é o povo. Felizmente, ainda é o povo quem vai votar. (Editorial JP)